Somos seres gregários! Cuidado com essa máxima…

Muito se propaga sobre nossa capacidade de agregação, na verdade, necessidade de sermos gregários, ou seja, preferimos viver em sociedade e em “bandos”, pois é algo natural e necessário à nossa espécie. Ao longo dos anos e dos avanços sociais muitas mudanças foram ocorrendo nesse sentido, nas famílias, nas organizações de trabalho e com o advento das redes sociais, nossa forma de relação e comunicação com os demais se alterou consideravelmente.

A pandemia trouxe outro grande fator de mudança, a quebra nesse status quo “agregador”, como viver em isolamento se somos feitos para nos agregar? Aí é que está o mote desse artigo. Somos seres gregários por necessidade ou por vontade? De fato “precisamos” estar em “bandos” todo o tempo para sermos felizes, estar em festas, reuniões, confraternizações e demais atividades em grupo para nos sentirmos bem? Qual é o real sentido desses encontros?

Bem, muitos terão respostas e outros a mínima noção delas para essas perguntas, e por quê? Simplesmente porque deixamos nossa capacidade, também necessária, de lado, a SOLITUDE. Ela foi solapada por essa propagação excessiva da necessidade de estarmos acompanhados o tempo todo (isso não quer dizer que devemos estar sozinhos todo o tempo), de estarmos bem apenas quando rodeados de pessoas, que nem sempre tem muito a ver conosco, mas ok, aceitamos esse status quo que nos foi dito ser o melhor para nós, a necessidade de companhia o tempo todo.

Quando é mesmo que nos conhecemos? Que sabemos o que de fato gostamos e queremos? Que temos a capacidade de pensar no que fazer, no que não fazer e em como agir em determinadas circunstâncias se a fala constante de alguém, um outro, ressoa em nossos ouvidos diariamente? Já pararam para pensar quando é mesmo que se tem tempo para conversar consigo mesmos, sem ruídos externos?

Penso que esse seja um grande motivador de tamanho buraco existencial na vida de muitas pessoas adoecidas emocionalmente: a ausência de um bate papo saudável consigo mesmas! Pois a necessidade de estarmos rodeados o tempo todo, cobrados socialmente, nos impede de exercer essa necessidade com maior ênfase e nos tolhe a possibilidade de fazer escolhas mais assertivas e felizes ao longo da vida.

Fica a dica, a quarentena nos trouxe essa possibilidade de autopercepção e auto observação. Olhar com outros olhos as relações, as interações, a qualidade delas e o que de fato representam e nossas vidas! Não é tarefa fácil pensar em hábitos construídos e alterá-los para melhor, mas aproveitar as oportunidades que a vida nos traz é tarefa de todos nós! Façamos a nossa parte, seu EU futuro agradece imensamente, pois a boa velhice nada mais é do que a capacidade de estabelecer bons diálogos consigo mesmo.

Boa solitude a todos! 🙂

Daniela Bernardes

Psicóloga, Psicoterapeuta, Docente e Consultora

CRP 06/98179

7 respostas para “Somos seres gregários! Cuidado com essa máxima…”

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