Partidas…

Em meio ao que vai precisamos nos atentar ao que fica, esse é um dos grandes ensinamentos que vamos angariando ao longo de nossas vidas aqui no Planeta Azul. Períodos como esse, em que as coisas saem de seus devidos lugares (nesse caso, de maneira extrema, pois tudo resolveu sair do lugar ao mesmo tempo) são boas oportunidades de revisão de significados e porque não, de vida.

Hoje tive a triste notícia da perda de alguém próximo e que fez parte de nossa infância e adolescência, sempre com um enorme sorriso e humor, mas cuja característica se resume à palavra SOLICITUDE, essa que é franca e verdadeira e infelizmente não tão entranhada na maioria de nós cotidianamente.

A notícia veio com susto, como enorme pesar e a pergunta foi por quê? Se não era um membro da família, e explico: minha crença é de que o conceito FAMÍLIA está relacionado a todos aqueles que passam por nós e deixam algo benéfico de si mesmos em nós (e isso não está apenas relacionado à família nuclear), isso ocorre em um simples contato. Essas são pessoas que compõem um pouco do que passamos a ser enquanto humanos, pois nossa pluralidade e identidade é feita desse mosaico.

Seu sorriso no banco de madeira em frente à sua casa e um aceno ficaram comigo sempre que visitava a família, estes pequenos gestos sempre com enorme carinho foram o pedaço deixado dele em meu mosaico e são o que levarei comigo, assim como todos os gestos de carinho e atenção para com os membros da família nestes anos de convivência como vizinhos.

Por fim, mas não o fim, já que quando construímos mosaicos em outros jamais findamos, esse período pode ser um grande motor positivo a cada um de nós, como cita Sartre “é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade ou, se prefere, a angústia é o modo de ser da liberdade como consciência de ser; é na angústia que a liberdade é em seu ser em questão para ela mesma”.

A angústia da perda nos apresenta a liberdade de contorno para o que ela quer significar a cada um de nós, o significado dado às perdas é de responsabilidade de cada um de nós, e essa é a beleza da vida aqui embaixo, no Planeta Azul. Me dou ao direito de sentir tristeza, mas ao mesmo tempo de transmutar a dor em um belo sorriso e aceno, que são as marcas registradas de alguém que encontrou sua real essência entre nós, a consciente, na vida realmente presente em um simples “banco sorridente”!!

Daniela Bernardes – CRP 06/98179

Especialista em Desenvolvimento Humano

23 respostas para “Partidas…”

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