Somos seres gregários! Cuidado com essa máxima…

Muito se propaga sobre nossa capacidade de agregação, na verdade, necessidade de sermos gregários, ou seja, preferimos viver em sociedade e em “bandos”, pois é algo natural e necessário à nossa espécie. Ao longo dos anos e dos avanços sociais muitas mudanças foram ocorrendo nesse sentido, nas famílias, nas organizações de trabalho e com o advento das redes sociais, nossa forma de relação e comunicação com os demais se alterou consideravelmente.

A pandemia trouxe outro grande fator de mudança, a quebra nesse status quo “agregador”, como viver em isolamento se somos feitos para nos agregar? Aí é que está o mote desse artigo. Somos seres gregários por necessidade ou por vontade? De fato “precisamos” estar em “bandos” todo o tempo para sermos felizes, estar em festas, reuniões, confraternizações e demais atividades em grupo para nos sentirmos bem? Qual é o real sentido desses encontros?

Bem, muitos terão respostas e outros a mínima noção delas para essas perguntas, e por quê? Simplesmente porque deixamos nossa capacidade, também necessária, de lado, a SOLITUDE. Ela foi solapada por essa propagação excessiva da necessidade de estarmos acompanhados o tempo todo (isso não quer dizer que devemos estar sozinhos todo o tempo), de estarmos bem apenas quando rodeados de pessoas, que nem sempre tem muito a ver conosco, mas ok, aceitamos esse status quo que nos foi dito ser o melhor para nós, a necessidade de companhia o tempo todo.

Quando é mesmo que nos conhecemos? Que sabemos o que de fato gostamos e queremos? Que temos a capacidade de pensar no que fazer, no que não fazer e em como agir em determinadas circunstâncias se a fala constante de alguém, um outro, ressoa em nossos ouvidos diariamente? Já pararam para pensar quando é mesmo que se tem tempo para conversar consigo mesmos, sem ruídos externos?

Penso que esse seja um grande motivador de tamanho buraco existencial na vida de muitas pessoas adoecidas emocionalmente: a ausência de um bate papo saudável consigo mesmas! Pois a necessidade de estarmos rodeados o tempo todo, cobrados socialmente, nos impede de exercer essa necessidade com maior ênfase e nos tolhe a possibilidade de fazer escolhas mais assertivas e felizes ao longo da vida.

Fica a dica, a quarentena nos trouxe essa possibilidade de autopercepção e auto observação. Olhar com outros olhos as relações, as interações, a qualidade delas e o que de fato representam e nossas vidas! Não é tarefa fácil pensar em hábitos construídos e alterá-los para melhor, mas aproveitar as oportunidades que a vida nos traz é tarefa de todos nós! Façamos a nossa parte, seu EU futuro agradece imensamente, pois a boa velhice nada mais é do que a capacidade de estabelecer bons diálogos consigo mesmo.

Boa solitude a todos! 🙂

Daniela Bernardes

Psicóloga, Psicoterapeuta, Docente e Consultora

CRP 06/98179

Somos feitos de narrativas…

Somos feitos de palavras, de frases ditas aqui e ali por diferentes pessoas que passam por nossas vidas, dizendo isso ou aquilo, emitindo opiniões sobre isso ou aquilo. Já passou para pensar que o ser humano adora ter opinião sobre tudo e sobre todos?

Quando pequenos temos a “narrativa” delineada pelos pais, avós, professores, vizinhos e pessoas de nosso convívio. São elas que dão o tom do “script” que iremos atuar ao longo de nossas vidas (atuamos sem saber qual é), de maneira inadvertida e inconsciente ele vai sendo escrito nas entrelinhas do dito e do não dito.

Veja, como ele é educado! Nossa, como ela é bonita! Menina, como essa garota é feia! Esse aí, não vai dar em nada! Essa aí, minha nossa, não serve para nada! Minha nossa como é magra, está passando fome? São frases que qualquer um de nós já ouviu a respeito de crianças do entorno, ou a respeito de si mesmos. Essas são as frases da narrativa que está em construção na cabeça deles e gera as crenças individuais a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca, mesmo sem o nosso consentimento.

Essa construção de narrativa ultrapassou, nos dias de hoje, o círculo social, o mundo online é uma fábrica de narrativas, que nem sempre são boas. O mundo online adota a “escrita do script” em formato de curtidas, likes e comentários (dos melhores aos mais bizarros) o padrão de certo e errado do “script” pessoal, que antes era formado por menos pessoas, agora é público e afeta consideravelmente a consciência de si em cada um de nós.

Por que é tão importante saber disso? Bem, se nos afetamos com as narrativas precisamos estar atentos ao que estão narrando a nosso respeito e para nós, se for um drama podemos adotar a tristeza como forma de viver, se for uma comédia, podemos adotar uma forma jocosa de levar a vida e nossas relações e se for um filme misturado, em que terror, drama e suspense são narrados aos montes, aí é o cenário propício para que as coisas saiam do lugar.

Observe, quais são as narrativas atuais a respeito do mundo e da nossa vida? Quais são as histórias que as redes vem contando, das pessoas e do mundo que nos cerca. Você está checando adequadamente o roteiro em fontes seguras, com informações que se adequem à realidade (mídias confiáveis, ciência, etc.)? Ou apenas está seguindo um roteiro pré estabelecido por alguns que querem tirar você do protagonismo de sua vida e de sua história?

Veja lá, você é o único que pode ser o protagonista de sua história e os “scripts” que foram cunhados por outros desde sua infância podem ser retomados a qualquer momento, eles são usados para que as narrativas se mantenham em favor nem sempre do que é melhor para você, basta que se dê conta de que essas histórias não são sobre você, mas sobre o que achavam que você era ou deveria ser, ou quem é e deve ser.

Abaixo aos scripts inadvertidos, propositalmente escritos ou não, que querem nos roubar o poder de pensar, escolher, fazer e viver como bem quisermos! Faça sua parte e filtre narrativas incompatíveis com a liberdade de ser quem desejamos ser, com a falsa ideia de que sabem o que é melhor para nós. A responsabilidade nessa reescrita é nossa, apenas nossa. Se não sabe ainda, APRENDA, sempre é tempo de aprender a reescrever a própria história! Depois não poderá culpar ninguém por sua preguiça de ler, buscar fontes seguras, de pegar no papel e na caneta de seu raciocínio e fazer a sua parte, tomar real consciência de sua vida e de suas escolhas.

A história e seu EU futuro irão agradecer!

Daniela Bernardes

Psicoterapeuta

Especialista em Desenvolvimento Humano

Lá se vai…

Para essa escrita precisei me aquietar, pois notícias de perdas merecem a devida reflexão e organização de emoções e sentimentos, ainda mais em tempos turbulentos como este que estamos vivendo.

Quanto mais vivemos e mais aprendemos, mais vamos compreendendo como a vida é fluida e um sopro, hoje aqui, amanhã, não sei. Hoje bem, amanhã, quem sabe. E essa nossa incerteza de cada dia, quando muito pensada e olhada de frente, pode ser fator de desespero para muitos, talvez por isso a negação constante da morte.

O fato é que pensar na inconstância pode sim ter seu lado bom, sua dose de adaptação à uma realidade inexorável, que chegará para todos. Vamos morrer, ponto, sem vírgula! A questão é quando e como, e o mais importante, qual será nosso legado antes que isso ocorra? Pensar no fim nos leva a pensar no percurso, não pensar nos leva a nos perder no percurso.

Quem perdemos hoje preocupava-se muito com isso, em ter uma passagem no mundo que valesse a pena, com significado para si e para os que a cercavam. Alguém que após perder o amor da sua vida tentou com todas as suas forças se adaptar a uma nova realidade, a da ausência. Lutou para ter uma vida com significado, mesmo tendo perdido o sentido da vida, quando se tem a sorte de uma relação de amor verdadeiro.

A notícia da perda súbita sempre nos pega de calças curtas, como se um vento frio solapasse nossas canelas em um dia de verão brasileiro sem nos dar o devido planejamento. Hoje fomos pegos sem blusa de frio, quase nus, e sim, uma perda dessa envergadura tende a ser tratada como um inverno que perdurará por algum tempo, no coração daqueles que a admiravam grandemente, serei uma delas.

Só não sinto mais por saber que ela será recebida de braços abertos e com um enorme sorriso por aquele que amou verdadeiramente aqui embaixo, seu sonho finalmente será realizado, o reencontro tão esperado depois de longos anos, de ressignificação da vida, das relações e especialmente da morte, o que ela bravamente conseguiu e levará consigo. Deixa esse legado belíssimo!

Agradeço à vida por ter me apresentado pessoas com tamanha grandeza e envergadura, por serem fortes ao acessar suas fragilidades, por ter a honra de cuidar e acompanhar vidas e saber que o poder de mudar nossa realidade está dentro de cada um de nós! Você me mostrou isso lindamente!

Vá em paz minha querida, sabendo que deixou sua semente em cada um dos que tiveram a honra de conviver e aprender contigo! Para os que deixam sementes a vida jamais cessa, ela apenas se transforma e você florescerá de outra forma em nossas almas! Gratidão por se dar a oportunidade que poucos se dão de “tornar-se quem deveras são”.

Daniela Bernardes

Psicoterapeuta

Especialista em Desenvolvimento Humano

O poder da palavra

Eis-me aqui, retomando o gosto pela escrita, já que os “botões” não param de falar, mesmo quando decidimos silenciar por um tempo… é bom estar de volta!

Em tempos de silenciar, as palavras (internas) continuam pulando e precisamos estar atentos à qualidade dessa conversa, veja, você costuma se atentar ao que diz e como diz para si mesmo e para os outros? Ter o que dizer é muito importante, mas a forma e a qualidade da conversa é ainda mais relevante. Já parou para pensar que as palavras podem ser flechas ou penas?

Expressamos através das palavras nossa visão de mundo e cada um de nós tem um modelo de mundo peculiar. Essa forma de enxergar é repassada aos demais por intermédio da nossa fala, pois somos seres comunicantes, mas mesmo tendo essa capacidade inata somos hábeis nesse quesito?

Diria que não! As vezes enviamos flechas querendo enviar penas? Creio que a resposta seja sim, e pior, as flechas costumam ser contra nós mesmos, com uma “conversa fiada” incômoda dentro da nossa cabeça que não para de falar bobagens todo o tempo. Atente-se a ela e mande-a “calar a boca” se for o caso. Suas ações e emoções dependem muito do que ela fala e de como você alimenta seu conteúdo interno (leituras, noticiários, músicas, filmes, etc.). Se atente à qualidade dos estímulos!

Temos uma baita dificuldade de expressar o que vai dentro de nós, nosso modelo mental é complexo por vezes até para nós. Desse modo, se faz de grande importância, especialmente nesse momento, seguir um compromisso conosco e com os que nos cercam: “seja impecável com a sua palavra”, a filosofia Tolteca nos deixou esse compromisso.

Nascemos com muitas habilidades, mas nem sempre elas se tornam competências, ou seja, nem sempre somos capacitados o suficiente nas habilidades que nos foram presenteadas. Faça sua parte, habilite-as da melhor forma possível, alimente diálogos positivos consigo mesmo e com os que os cercam.

Faça um filtro em tempos de conteúdos inadvertidos e negativos, seja o melhor que puder com cada uma das suas habilidades. A vida e as relações interpessoais ficarão muito mais leves e claras e você, um ser humano consciente e responsável, para si e para o mundo em que vive!

Nesse formato não há espaço para dicotomias nós e eles, bons e maus, há espaço apenas para um TODO que sabe o seu devido lugar aqui no Planeta Azul, que é ciente da premissa empática (sinal da humanidade em nós) que quando solto uma flecha eu sou o alvo e quando solto uma pena eu sou o alvo. Ninguém quer se machucar, então faça sua parte! As suas relações agradecem!

Daniela Bernardes

Psicóloga Especialista em Desenvolvimento Humano

Partidas…

Em meio ao que vai precisamos nos atentar ao que fica, esse é um dos grandes ensinamentos que vamos angariando ao longo de nossas vidas aqui no Planeta Azul. Períodos como esse, em que as coisas saem de seus devidos lugares (nesse caso, de maneira extrema, pois tudo resolveu sair do lugar ao mesmo tempo) são boas oportunidades de revisão de significados e porque não, de vida.

Hoje tive a triste notícia da perda de alguém próximo e que fez parte de nossa infância e adolescência, sempre com um enorme sorriso e humor, mas cuja característica se resume à palavra SOLICITUDE, essa que é franca e verdadeira e infelizmente não tão entranhada na maioria de nós cotidianamente.

A notícia veio com susto, como enorme pesar e a pergunta foi por quê? Se não era um membro da família, e explico: minha crença é de que o conceito FAMÍLIA está relacionado a todos aqueles que passam por nós e deixam algo benéfico de si mesmos em nós (e isso não está apenas relacionado à família nuclear), isso ocorre em um simples contato. Essas são pessoas que compõem um pouco do que passamos a ser enquanto humanos, pois nossa pluralidade e identidade é feita desse mosaico.

Seu sorriso no banco de madeira em frente à sua casa e um aceno ficaram comigo sempre que visitava a família, estes pequenos gestos sempre com enorme carinho foram o pedaço deixado dele em meu mosaico e são o que levarei comigo, assim como todos os gestos de carinho e atenção para com os membros da família nestes anos de convivência como vizinhos.

Por fim, mas não o fim, já que quando construímos mosaicos em outros jamais findamos, esse período pode ser um grande motor positivo a cada um de nós, como cita Sartre “é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade ou, se prefere, a angústia é o modo de ser da liberdade como consciência de ser; é na angústia que a liberdade é em seu ser em questão para ela mesma”.

A angústia da perda nos apresenta a liberdade de contorno para o que ela quer significar a cada um de nós, o significado dado às perdas é de responsabilidade de cada um de nós, e essa é a beleza da vida aqui embaixo, no Planeta Azul. Me dou ao direito de sentir tristeza, mas ao mesmo tempo de transmutar a dor em um belo sorriso e aceno, que são as marcas registradas de alguém que encontrou sua real essência entre nós, a consciente, na vida realmente presente em um simples “banco sorridente”!!

Daniela Bernardes – CRP 06/98179

Especialista em Desenvolvimento Humano

Retirando o salto!

Estamos iniciando o ano, que nada mais é do que um dia depois de outro, sem interrupções, mas os simbolismos nos ajudam muito e que bom que alguém teve essa ideia de término e reinícios de tempos em tempos. Ufa!

De modo que o período é bom para organizações, para entradas (de hábitos saudáveis) e retiradas de hábitos comportamentais ou de pensamentos (nocivos), revisões de vida que podem fazer toda a diferença quando se deseja ter mais qualidade no tempo que irá passar aqui no Planeta Azul.

Um dos pontos que gostaria de destacar aqui é o “salto”, farei uma alusão ao sapato de salto alto que muitas mulheres adoram (e que eu particularmente tenho aversão e descobri isso tardiamente…). Esse item é confortável? Gera algo de bom no cotidiano de quem usa? Se sim, o quê? O que gera de bom é de fato relevante para sua qualidade de vida? Esse item tem a ver com seus valores?

Essas e outras questões sobre um item simples que compõe o guarda-roupa de milhares de mulheres pode nos ajudar a pensar sobre outras áreas da vida, a saber:

  1. Questionamos os hábitos que socialmente nos são impostos, como o sapato de salto por exemplo, ou apenas seguimos o padrão?
  2. Esses hábitos as vezes geram desconforto (sapatos de salto são extremamente desconfortáveis), que a rigor nos trazem mais malefícios do que benefícios, porque mesmo continuamos com eles?
  3. Há algum questionamento sobre as dores de cada hábito adquirido e por vezes “pedido” pela sociedade?

Essas e outras perguntas são de suma importância na vida de cada um de nós, são elas que fazem com que a vida possa tomar outro corpo, outra cor, ter outros sabores e sensações, com um simples ajuste no guarda-roupa. Aqui a analogia se dá no guarda-roupa interno, esse que as vezes fica uma bagunça, simplesmente a porta é fechada sem maiores problemas. A questão é que quando precisamos sair para qualquer evento ou compromisso a porta deve ser aberta, e pode ser que tudo caia em sua cabeça e as roupas e sapatos passem a escolher você e não o inverso.

A situação parece cômica, não acham? Mas é trágica, já que quem deve fazer as escolhas em sua vida é você e mais ninguém, mas só pode ter essa capacidade quando os sapatos e demais itens do guardar-roupa são melhor escolhidos, organizados, de preferência sem que gerem tanto sofrimento, preocupações e dores cotidianas. Só quem já teve um sapato apertado nos pés sabe o que é!

Deixo aqui a reflexão e o convite, caso necessite de ajustes no guarda-roupa a psicoterapia é uma das vias mais eficientes que podem lhe ajudar nisso, e a retirada do salto, o ato de descer dele e colocar-se em um patamar de humildade diante da vida pode ser a saída para uma vida melhor e mais positiva, nem sempre conseguimos dar conta da organização do guarda-roupa interno sozinhos, especialmente quando alguns itens precisarão ser jogados fora ou doados.

Daniela Bernardes

Psicóloga e Psicotrapeuta

Especialista em Desenvolvimento Humano

daniela.bernardes@ybridaconsultoria.com.br

Se quer trocar os frutos, primeiro tem que trocar as raízes

Somos aprendizes, diz a lenda, aqueles que nascem sem saber muito e morrem sabendo menos ainda, quem ainda não descobriu isso está longe, muito longe de saber o que é viver e de definir o que é a vida aqui no Planeta Azul.

Aproveitando a deixa vamos conversar um pouco hoje sobre as raízes, sim, essas que crescem a partir do germinar de sementes e que constitui cada um de nós. Somos sementes e vamos ao longo do tempo criando raízes, a analogia que gostaria de tratar aqui é sobre quais raízes está se firmando?

Veja, vamos sendo regados por diferentes pessoas e estímulos ao longo de nossa existência certo? Quando crianças pouco conseguimos escolher sobre isso, a gente nasce em determinada “casta” , família, etnia, cultura, dentre outros, modos de vida estes que vão moldando nosso senso de individualidade, sociabilidade, personalidade e com o tempo por vezes deixamos de questionar essas “imposições”.

Sim, digo imposições porque não escolhemos, apenas nascemos e as absorvemos, ponto, sem vírgula.

E então, você está em qual lugar na vida, questionando ou aceitando o que a vida trouxe para você?

Nem sempre o que herdamos nestes locais é positivo, veja, não estou aqui falando mal das heranças (sejam financeiras ou subjetivas, das quais trato aqui nesse texto) apenas trazendo a reflexão sobre quem deseja ser diante das escolhas que não teve.

Dar bons frutos aqui no Planeta Azul é uma tarefa muito árdua, haja vista as inúmeras dificuldades existenciais que nos são impostas diariamente, mas antes de dar bons frutos, o que isso significa para você? Para alguns é ter filhos e fazer com que sejam pessoas de bem, para outros é trabalhar no que se gosta e deixar um legado para as futuras gerações com seu esforço, já para outros pode ser cuidar da natureza e dos animais, enfim, cada um a seu modo busca seus frutos.

Para ter bons frutos, que sejam seus e tenham um pouco mais de “personalidade” muitas vezes há que se trocar as raízes, aquelas que nos foram “doadas” e que aceitamos de bom grado, agradecemos e honramos, mas que nem sempre nos darão os frutos que desejamos depois que crescemos e passamos a ter outras escolhas e visões de mundo.

Está me acompanhando até aqui?

Resumindo, passar a fazer novas mudas em dado momento se faz de grande importância, previne desgastes emocionais, financeiros e sociais desnecessários e pode gerar mais satisfação e felicidade na trajetória. Pense nisso!

Para quem ainda não deu início aos novos plantios e está com dificuldades de fazê-lo, deixo aqui um convite. O processo terapêutico é uma das formas eficazes de se escolher novas mudas e regar com diferentes ingredientes a vida que você quer ter, para colher os frutos que assim desejar.

Daniela Bernardes

Psicóloga e Psicoterapeuta

Especialista em Desenvolvimento Humano

daniela.bernardes@ybridaconsultoria.com.br

Sobre a importância de “ficar de bode”

Nesse dia mundial da saúde mental vamos sinalizar a importância de “ficar de bode”, expressão utilizada popularmente para definir que estamos chateados, insatisfeitos ou desconfortáveis com alguma situação da vida. Temos cada vez menos tempo de “ficar de bode” e qual seria o sentido disso na prática? Vejamos: 

1. Seria o tempo de repensar a vida e refletir sobre os motivos da insatisfação;

2. Poder ficar sozinho para entrar em contato com sensações e emoções que ajudam a entender e encontrar soluções para possíveis desconfortos;

3. Silenciar a mente e deixar que as emoções fluam, categorizar cada uma delas e saber se são nossas ou “emprestadas” de outras pessoas (sim, isso ocorre com muita frequência);

4. Dar voz às sensações e nomeá-las ajudam a ressignificar e possibilitam mudanças de estado de ânimo, por isso a psicoterapia é tão relevante e efetiva. 

O que costuma ocorrer quando o “bode” bate em nossa porta? Fugimos dele com a máxima rapidez e nos esquecemos que ele pode ser o transmissor de uma mensagem muito importante: você precisa mudar para que as circunstâncias mudem e o bode não atrapalhe a entrada e saída da sua porta.

Então, deixamos aqui um convite e um sinalizador da importância de olhar o “bode” de frente, perguntar a ele o que deseja e o que quer que aprendamos com a sua visita.

Contamos com especialistas qualificados para ajudar você e sua empresa com as melhores soluções para essas e outras demandas pessoais e organizacionais.

Daniela Bernardes

Psicóloga e Psicoterapeuta


Joker – Somos Eu e Você

Sofremos com a loucura dos loucos que se acham sãos, dos calados que não são loucos e que se acham loucos intitulados pelos que se acham sãos.

Sofremos pelas vozes não ecoadas, pelas frases editadas, necessariamente para que nos ouçam. 

Sofremos pela inviabilidade de ser quem somos, por sermos demasiado humanos e incompreendidos, pois humanos sofrem, isso é o que nos torna únicos, a consciência do sofrer tão em desuso.

Sofremos pelo excesso de consciência e também pela falta dela, a primeira quando fala em nós, a segunda quando fala através dos outros e reverbera em nós.

Sofremos pela chama apagada em cada palavra não dita, em cada pessoa não ouvida, em cada gesto não articulado em direção ao contato com aquele que clama por ser ouvido.

Sofremos pela expressividade dos que não ouvem, pela agressividade dos que caçoam, pelo escárnio.

Sofri, sofro e sofrerei… até quando os olhos não se voltarem para mim, até quando me transformar em nada e a partir daí, em tudo… no todo, aí verás que sofre você e eu, e minha dor é sua, é nossa…só assim ela passa e alcança espaço e se torna graça.


Joker

Por Daniela Bernardes

Assédio Moral e Saúde Mental

Muito se fala sobre assédio moral, mas caso o sofresse conseguiria identificá-lo? No que isso implica em sua saúde mental?  Vejamos. Nos ambientes organizacionais muitas vezes as relações se misturam e se confundem propiciando atos de “agressão” que podem passar despercebidos e, a médio e longo prazo, gerar desordens emocionais sérias.

Assédio moral pode também ser chamado de humilhação no trabalho ou terror psicológico e acontece quando se estabelece uma hierarquia autoritária, que coloca o subordinado em situações humilhantes. Ocorre quase de maneira clandestina e por isso de difícil diagnóstico, levando à necessidade de estar atento e informado a respeito de seus significados e suas formas de apresentação.

Na prática ele se apresenta das seguintes formas:

  • Isolá-lo dos demais colegas;
  • Impedi-lo de se expressar sem justificativa;
  • Fragilizá-lo, ridicularizá-lo, o menosprezando na frente dos colegas;
  • Chamá-lo de incapaz;

Podendo:

  • Torná-lo emocionalmente e profissionalmente abalado, o que leva a perder a autoconfiança e o interesse pelo trabalho;
  • Propenso à doenças;
  • Forçado a pedir demissão.

Citamos também algumas situações que podem identificar o agressor, podendo ser um chefe ou superior na escala hierárquica, colegas de trabalho, um subordinado para com o chefe ou o próprio empregador (em casos de empresas de pequeno porte): 

  • Comporta-se através de gestos e condutas abusivas e constrangedoras;
  • Procura inferiorizar, amedrontar, menosprezar, difamar, ironizar, “dar risinhos”;
  • Faz brincadeiras de mau gosto;
  • Não cumprimenta e é indiferente à presença do outro;
  • Solicita execução de tarefas sem sentido e que jamais serão utilizadas;
  • Controla (com exagero) o tempo de idas ao banheiro;
  • Impõe horários absurdos de almoço, etc.

A psicóloga francesa Marie-France Hirigoyen, autora de um estudo sobre o assunto, acredita que a punição ao assédio moral ajudaria a combater o problema, pois “imporia um limite ao indivíduo perverso”, assim como a Dra. Margarida Barreto, autora de tese em psicologia social pela PUC – SP, que constatou que a ação do chefe que humilha seus subalternos é mais prejudicial à saúde do que se imagina, pois a exposição do trabalhador a frequentes situações de humilhação pode causar-lhe doenças acentuadas, culminando inclusive com tentativas ou pensamentos suicidas como manifestações explosivas das emoções arquivadas,  já que o assédio moral fere a dignidade e é percebido pelos que sofrem como fracasso e incapacidade.

Tais atos são mais comuns do que imaginamos e precisam de diagnóstico precoce para se evitar maiores problemas tanto para o indivíduo quanto para a organização em que o assédio ocorre. Ações de educação, prevenção e promoção de saúde mental e emocional podem minimizar danos. Contamos com especialistas qualificados para ajudar você e sua empresa com as melhores soluções para estas e outras demandas pessoais e organizacionais.

Daniela Bernardes

Psicóloga e Psicoterapeuta

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